Liz Reid, que recentemente abordou o futuro da Pesquisa Google, revela como a inteligência artificial está redefinindo o uso do motor de busca, suas consultas e seu modelo de negócios. Não há uma ruptura acentuada, mas sim uma evolução profunda e aceita.
Destaques:
- A Visão Geral de IA não elimina cliques em sites, mas sim elimina os "cliques de retorno"; estes são visitas rápidas feitas para obter uma única informação em uma página.
- As consultas estão se tornando mais longas e naturais: os usuários estão descrevendo seus problemas reais, em vez de convertê-los em palavras-chave.
- Conteúdo de baixa qualidade (slop) já existia antes da inteligência artificial. A IA apenas industrializou isso, e o Google afirma ter experiência em combatê-lo.
- A Pesquisa Google, o Modo IA e o Gemini não necessariamente se unirão; eles respondem a diferentes usos e os usuários transitam de um para o outro conforme suas necessidades.
A IA não está matando cliques, está classificando
Um dos tópicos mais debatidos no mundo do SEO é se as Visões Gerais de IA estão roubando o tráfego dos editores com os resumos gerados nas partes superiores das páginas. Liz Reid, vice-presidente responsável pela Pesquisa Google, oferece uma resposta sutil a essa questão em uma recente entrevista.
De acordo com Reid, as Visões Gerais de IA estão essencialmente "reduzindo os cliques de retorno": um usuário clica em um link e, após verificar um número ou data, volta imediatamente ao Google, porque só precisava daquela informação. Esses cliques estão desaparecendo, e isso é aceito.
Por outro lado, se um usuário deseja ler um artigo por cinco minutos, essa intenção persiste. A Visão Geral de IA pode ajudar a identificar a página certa mais rapidamente, reduzindo assim os cliques ruins, mas não os bons.
A mensagem é a seguinte: a inteligência artificial não está mudando a web, está trabalhando em conjunto com ela. "As pessoas querem inteligência artificial na web, juntas", resume Reid.
A natureza das consultas está mudando
Um dos sinais mais interessantes mencionados por Liz Reid é a evolução das próprias consultas. Desde a distribuição das Visões Gerais de IA, o Google tem observado consultas formuladas em uma linguagem "visivelmente mais longa" e mais natural.
Essa mudança não é trivial. Durante anos, os usuários aprenderam a "falar a língua do Google": eliminando palavras desnecessárias, reduzindo suas perguntas a algumas palavras-chave eficazes. Esse reflexo está lentamente desaparecendo.
Agora, os usuários estão descrevendo seus problemas reais com suas próprias palavras e esperando que o Google faça o trabalho de tradução. Essa reversão é fundamental: a máquina precisa se adaptar ao humano, e não o contrário.
Liz Reid acredita que isso representa um retorno à essência da missão do Google: "organizar a informação do mundo e torná-la universalmente acessível e útil". Com a inteligência artificial, o foco está mudando de acessibilidade para utilidade.
Visões Gerais de IA, Modo IA, Gemini: três ferramentas, três usos
O Google não está tentando centralizar tudo em um único produto. Reid enfatiza a complementaridade das diferentes ferramentas e que muitos usuários transitam de uma para outra conforme suas necessidades.
A distinção se forma da seguinte maneira:
- A Pesquisa Google e o Modo IA são mais voltados para consultas de busca de informação; isso se refere a situações em que o usuário está tentando entender algo ou se conectar a um recurso da web.
- O Modo IA se manifesta com consultas mais longas, complexas e em estilo de conversa. É um ponto de entrada para perguntas que requerem um processamento mais profundo.
- O Gemini está mais relacionado à eficiência, criatividade e escrita. Quando se trata de uma tarefa criativa, os usuários naturalmente se voltam para o Gemini.
Quanto à pergunta se a Pesquisa e o Gemini eventualmente se unirão, Reid não pode dar uma resposta definitiva. Ambos compartilham os mesmos modelos fundamentais e estão desenvolvendo juntos, mas uma fusão completa não é certa.
O modelo competitivo permanece sólido, mas evolui
Outra preocupação frequentemente expressa: se a inteligência artificial está respondendo diretamente às perguntas, como o Google continua a ganhar dinheiro? Reid refuta parcialmente esse pensamento.
- Primeiro, os anúncios são exibidos em menos de um quarto das consultas. Muitas buscas, incluindo aquelas que não têm um aspecto comercial, nunca foram convertidas em dinheiro.
- Em segundo lugar, em consultas que requerem ação o clique ainda é necessário. Saber qual é o melhor modelo de sapato não é suficiente: o usuário ainda deve ir a um site para comprar. A inteligência artificial responde, mas não faz o pedido.
- Em terceiro lugar, consultas mais detalhadas e específicas teoricamente oferecem a possibilidade de criar anúncios mais direcionados e relevantes. Quanto mais claramente o usuário expressar sua necessidade, maior será a probabilidade de correspondência com um anúncio adequado.
"Slop": um problema antigo, uma nova escala
O termo "AI slop" refere-se ao conteúdo de baixa qualidade produzido em massa por ferramentas de inteligência artificial para preencher os resultados de busca. Este é um assunto quente na indústria e Liz Reid não ignora isso.
No entanto, ela aborda isso em seu contexto histórico: slop não é uma invenção da produção de inteligência artificial. Já existia antes, produzido por pessoas, por fazendas de conteúdo e técnicas de spam. A inteligência artificial apenas tornou isso escalável; ou seja, tornou-se possível reproduzir em grande escala sem esforço adicional.
O Google afirma ter adquirido uma sólida experiência na luta contra esse tipo de conteúdo. O objetivo não é eliminar o slop, mas manter a taxa de spam muito baixa nos resultados apresentados aos usuários.
Reid também enfatiza a responsabilidade dos editores: produzir conteúdo de qualidade é a melhor estratégia, pois os usuários estão cada vez mais se voltando para fontes autênticas, conteúdo gerado por comunidades, áudio ou vídeo.
Personalização, a próxima fronteira
Um campo que ainda não foi muito desenvolvido, mas que foi mencionado várias vezes por Reid é a personalização. A Inteligência Pessoal do Google representa o primeiro passo em direção a resultados que atendem às preferências individuais de cada usuário.
Isso vai além de simples sugestões baseadas em histórico. Inclui a possibilidade de o usuário indicar suas fontes confiáveis, os sites que gosta e obter resultados levando em conta suas assinaturas atuais. Se um usuário assinou um veículo de mídia, o Google deve ser capaz de apresentar prioritariamente o conteúdo que esse veículo pode acessar.
Esse é um campo que levanta muitas oportunidades e questões relacionadas à bolha de informação, mas Reid vê isso como uma direção forte para os próximos anos.
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